Coach Alex Pussieldi: aposentado, mas trabalhando pela natação brasileira

Editor e responsável pelo site Best Swimming e pelo Blog do Coach, comentarista do canal Sportv e colunista da Revista Swim Channel, Alexandre Pussieldi é considerado um dos maiores especialistas do mundo quando o assunto se trata de natação. Recém-aposentado das bordas das piscinas, o Coach conversou com o nosso blog sobre vários assuntos: o último ano como técnico, suas conquistas nos Estados Unidos, o futuro da natação brasileira, seus novos desafios e claro, Jogos Olímpicos de 2016. E também afirmou que até lá vai trabalhar duro para ajudar o esporte a ficar cada vez mais popular no Brasil. Confira a entrevista abaixo com o Coach Alex.

Swim Channel: Por que você se aposentou? Estava cansado das piscinas?
Coach Alexandre Pussieldi: O plano era para 2016, apenas antecipei. Foi a “fome com a vontade de comer”. Em primeiro lugar, tive tudo o que queria como treinador, conquistei diversas alegrias e muitas satisfações. Esta última temporada, então, foi gloriosa com a medalha de bronze do Felipe no Mundial em Barcelona e uma prata no Mundial Júnior. A segunda questão foi a vontade de fazer algo especial e muito especial voltado para os Jogos Olímpicos do Rio. Quero realmente estar preparado para fazer uma grande cobertura pela Best Swimming, pelo Blog do Coach, pela Revista Swim Channel e principalmente pelo SporTV. É algo que eu realmente vejo com grandes olhos e uma grande oportunidade para nós fazermos o esporte do país crescer. Por último, o fato de não ter a minha própria piscina, foi determinante para antecipar os meus planos. O Davie Nadadores chegou num nível que precisávamos ter mais estabilidade e como encontrei dificuldades nisso procurei uma outra forma de me realizar. Saio muito contente, só bons momentos e alegrias e consegui parar no melhor momento de minha carreira.

Pussieldi treina atletas e equipes nos Estados Unidos desde 2000 - Foto: Arquivo Pessoal
Pussieldi treina atletas e equipes nos Estados Unidos desde 2000 – Foto: Arquivo Pessoal

SC: Ter sua própria equipe nos EUA é um negócio rentável?
Coach: Natação competitiva não é o melhor negócio do mundo. A aprendizagem e os swim camps são muito mais rentáveis, entretanto a realização profissional, pelo menos para mim, está na natação competitiva, e foi onde eu me realizei. Saio como um empresário brasileiro de relativo sucesso nos Estados Unidos, mas muito mais como um treinador brasileiro que venceu no exterior.

SC: Quais são seus objetivos a partir de agora? A que você pretende se dedicar?
Coach: Natação é minha vida. Adoro, vivo, curto. A partir de agora vou fazer coisas que sempre quis fazer e nunca pude. As clínicas e palestras são a prioridade. Já tenho algumas marcadas tanto no Brasil como no exterior. Vou rodar o país promovendo o esporte e o mundo divulgando um pouco do nosso trabalho. O treinamento de borda de piscina é apenas limitado a swim camps, training camps e em períodos determinados. Em março, por exemplo, devo estar um mês treinando a Seleção do Iraque e trabalhando com os treinadores locais em Bagdá. Após a Copa do Mundo de futebol no Brasil, entretanto, a prioridade passa a ser a mídia, e ai sim devo me estabelecer no Rio pelo menos até 2016. Estarei mais tempo no SporTV e em outras mídias.

SC: Muitos especulam que você pode se candidatar a algum cargo de dirigente no futuro. Essa possibilidade é real?
Coach: Não é real, nem é meu plano, muito menos objetivo. Eu vejo o esporte como qualquer outro processo que requer a profissionalização e a especialização. Para eu ser o Presidente da CBDA eu precisaria estudar, me preparar, me instruir. Não é somente querer. O esporte hoje demanda isso, e qualquer pessoa que tiver interesse em crescer como dirigente vai ter de se preparar na forma gestora, administrativa. Se um dia isso acontecer, eu primeiro vou me preparar. Mas não é o caso. Acho que posso contribuir de outra forma para o esporte do meu país.

Até 2016 o Coach estará cada vez mais presente na mídia brasileira - Foto: Reprodução
Até 2016 o Coach estará cada vez mais presente na mídia brasileira – Foto: Reprodução

SC: Na sua opinião o que a natação brasileira deve fazer para levantar e fortalecer o número de atletas na sua base?
Coach: Um problema sério e que me preocupa. Acho que foram muitas as razões para que chegássemos onde estamos e vão ser necessárias muitas os processos para nos recuperarmos. Vamos ter de investir na estrutura, equipar nossas piscinas, fortalecer a natação escolar, e buscar os nadadores não-federados. Hoje existe muito mais escolas de natação do que 10 anos atrás, tem muito mais professores formados, tem muito mais gente nadando, mas infelizmente amargamos na natação competitiva federada onde tem menos gente competindo. Está provado que só resultado da elite não é o suficiente para incrementarmos a nossa base. Algo específico precisa ser feito. Nisso eu tenho planos e objetivos a serem buscados. Aqui quero realmente ajudar a natação do meu país encontrar uma solução para algo que é muito mais grave do que possa se pensar.

SC: Para finalizar, o que você analisa da natação brasileira para 2016? Estamos no caminho certo?
Coach: Acho que estamos bem, e no caminho para conseguir o que está no nosso nível. Sei que o COB e o Ministério dos Esportes têm um plano arrojado e que o objetivo é simplesmente ficar “entre os 10 do mundo” no quadro de medalhas. Eu gostaria que estes objetivos fossem mais extensos. Na realidade, e para quem acompanha natação, vai concordar comigo. Temos chance de medalha em apenas cinco provas individuais e quem sabe um revezamento, fora a prova feminina das águas abertas. O resto não serve? Claro que serve, há muito para ser conquistado, para ser desenvolvido. Temos muitos atletas com chances de estarem no time olímpico, de chegarem a uma final olímpica e uma semifinal. Tudo isso é importante e precisa ser valorizado.

Por Guilherme Freitas


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